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Escada de carreira, referencial ou matriz de competências: qual a diferença?

Cinco termos usados como se fossem o mesmo — escada de carreira, referencial de carreira, matriz de competências, nível e escalão — explicados, com um departamento trabalhado do princípio ao fim.

Escadas de carreira

Pela equipa do LadderKit

Pergunte a cinco gestores o que é um «referencial de carreira» e vai ouvir falar de uma folha de cálculo, de uma lista de cargos, de um conjunto de competências, de uma estrutura salarial e de uma política de promoções. Todos descrevem uma parte da mesma coisa. A confusão é inofensiva numa conversa e cara na prática: uma equipa faz uma lista de cargos e dá o trabalho por terminado, outra constrói uma grelha de competências com cinquenta linhas que ninguém consegue relacionar com um cargo.

Este artigo esclarece o vocabulário — escada de carreira, referencial de carreira, matriz de competências, níveis e escalões — e mostra como as peças encaixam num departamento de uma empresa de 20 a 200 pessoas. Se já conhece os termos e quer o método, avance diretamente para como criar uma escada de carreira.

A resposta curta

Cada termo responde a uma pergunta diferente:

TermoA pergunta a que respondeExemplo
Escada de carreiraPor que funções posso passar?Coordenador Gestor Gestor sénior
Referencial de carreiraO que se espera de mim, e em que caminhos?Dois percursos, cinco níveis e seis competências em Marketing
Matriz de competênciasO que exige, exatamente, cada nível?«Planeamento de campanhas» descrito do nível 1 ao 5
NívelQuão sénior é esta função face às outras?Nível 3
Escalão (ou banda salarial)Quanto pagamos por este nível?Um intervalo salarial associado ao nível 3

A escada é o caminho. O referencial é o caminho mais as expectativas. A matriz são as expectativas dispostas numa grelha. Os níveis são os degraus, e os escalões são o que se paga em cada degrau.

Escada de carreira: o caminho

Uma escada de carreira é uma sequência ordenada de funções numa mesma área de trabalho. «Assistente de apoio Especialista de apoio Especialista sénior Coordenador de apoio» é uma escada; «Designer júnior Designer Designer sénior Designer líder» também.

Por si só, uma escada responde a «o que vem a seguir?», mas não a «o que tenho de fazer para lá chegar?». É por isso que uma escada que é apenas uma lista de cargos raramente muda alguma coisa: as pessoas veem o degrau seguinte, mas não a distância até ele.

Um departamento pode ter mais do que uma escada. O caso mais comum é um par: uma para quem cresce como especialista e outra para quem cresce liderando outras pessoas. A esse par chama-se normalmente escada de carreira dupla, e às duas metades chama-se percursos.

Referencial de carreira: escadas mais expectativas

Um referencial de carreira é a estrutura completa de um departamento: os seus percursos, os níveis de cada percurso, a função que ocupa cada nível e as competências em que cada função é avaliada, descritas para cada nível.

Dito de forma simples, um referencial transforma uma escada em algo face ao qual se pode avaliar. Para uma equipa de vendas de cinco pessoas, o referencial pode ser um percurso com três níveis e cinco competências. Para um departamento de engenharia de 30 pessoas, o mais provável são dois percursos, cinco níveis e seis competências.

Há duas características que distinguem um referencial que funciona de um simples documento:

  • Cada função tem expectativas escritas. Não adjetivos — aquilo que alguém nesse nível faz de facto.
  • Os níveis são comparáveis entre percursos. O nível 4 do percurso de especialista tem aproximadamente o mesmo âmbito e peso que o nível 4 do percurso de gestão.

Algumas empresas têm um referencial por departamento; outras tentam ter um só para toda a empresa. Na prática, o que funciona melhor é uma estrutura comum (o mesmo número de níveis, as mesmas competências partilhadas) com um referencial próprio por departamento, porque «sénior» em vendas e «sénior» em engenharia descrevem trabalhos diferentes.

Matriz de competências: a grelha

Uma matriz de competências são as expectativas do referencial dispostas numa tabela: as competências nas linhas, os níveis nas colunas e uma descrição curta em cada célula.

Eis uma linha de uma matriz de apoio ao cliente:

CompetênciaNível 1Nível 2Nível 3
Comunicação escritaUsa corretamente as respostas predefinidas e pede revisão em tudo o que seja invulgarEscreve respostas claras que normalmente resolvem o problema numa só mensagemEscreve os artigos da central de ajuda e as macros em que o resto da equipa se apoia

A matriz é a parte que as pessoas realmente leem numa conversa de carreira, porque é específica. A escada diz «é Especialista de apoio»; a matriz diz «para chegar ao nível seguinte, a sua comunicação escrita tem de passar de resolver problemas a definir o padrão para os outros».

Duas notas práticas:

  • Uma palavra ou duas? Em inglês, competency costuma designar uma área ampla (a comunicação, o sentido de responsabilidade) e skill algo mais estreito (SQL, negociação); em português, «competência» serve para ambas. O que importa é que cada linha esteja descrita por nível.
  • Nem todas as funções precisam de todas as linhas. Um coordenador de apoio pode precisar de uma linha de liderança de pessoas que um especialista de nível 1 não precisa. Uma boa matriz admite uma célula vazia em vez de inventar uma expectativa.

Níveis, escalões e cargos

Estes três são os que mais se confundem, sobretudo nas conversas sobre remuneração.

Um nível é o próprio degrau: um número ou um rótulo curto (L1–L5) que indica quão sénior é uma função em relação às outras. São os níveis que tornam comparáveis funções de departamentos diferentes — um especialista de apoio de nível 3 e um engenheiro de nível 3 devem ter um âmbito semelhante, cada um na sua área.

Um escalão costuma significar um escalão ou banda salarial: o intervalo de salários associado a um nível. Em muitas empresas pequenas, escalão e nível coincidem um para um, e é por isso que «níveis e escalões» é uma pesquisa tão frequente. Organizações maiores têm por vezes mais escalões do que níveis, para que a remuneração possa evoluir dentro de um nível sem uma promoção.

Um cargo é o nome que consta do contrato e do CV: «Senior Account Executive». Os cargos estão virados para o mercado; os níveis são internos. Mantê-los separados permite alterar o referencial sem mudar o nome das pessoas e usar cargos habituais no mercado sem inventar um nível para cada um.

Como as peças encaixam: um departamento

Pense na equipa de marketing de uma empresa de software com 70 pessoas: sete pessoas, uma das quais gere as restantes.

A escada. Hoje há três cargos em uso — Coordenador de marketing, Gestor de marketing e Responsável de marketing — e duas pessoas a quem foi acrescentado «sénior» ao cargo, em momentos diferentes.

Os percursos. A equipa acorda dois: um percurso de especialista, para quem cresce assumindo canais e campanhas maiores, e um percurso de gestão que começa no nível 3.

Os níveis. Quatro no percurso de especialista: Coordenador de marketing (1), Gestor de marketing (2), Gestor de marketing sénior (3), Especialista principal de marketing (4). O percurso de gestão tem Líder de marketing (3) e Responsável de marketing (4).

As competências. Seis linhas: planeamento de campanhas, conteúdo e mensagem, domínio dos canais, análise de dados, colaboração com vendas e ajudar os outros a crescer. A última é partilhada com todos os outros departamentos; as cinco primeiras são próprias do marketing. O modelo de gestor de marketing, já pronto, é um bom ponto de partida para elas.

A matriz. Cada competência é descrita para cada um dos quatro níveis. A célula de «análise de dados» no nível 2 diz: «Reporta os resultados das suas próprias campanhas e explica o que mudaria da próxima vez.» No nível 4: «Define como a equipa mede o marketing e é a pessoa a quem vendas e finanças recorrem quando os números não batem certo.»

Os escalões. Quando os níveis estabilizam, o CEO associa um intervalo salarial a cada função. A remuneração de ninguém muda no dia em que o referencial é publicado.

Em conjunto, a escada, os percursos, os níveis, as competências e a matriz formam um referencial de carreira para um departamento. O modelo de apoio ao cliente e o modelo de engenheiro de software mostram a mesma estrutura para outros dois departamentos.

O que criar primeiro

Se ainda não tem nada, não comece pela matriz — comece pela estrutura e depois preencha-a:

  1. Níveis e percursos. Decida quantos níveis ter e se precisa de um segundo percurso. O guia sobre quantos níveis deve ter uma escada de carreira trata da primeira decisão.
  2. Funções em cada nível. Coloque uma função em cada nível de cada percurso, com cargos que as pessoas já reconhecem.
  3. Competências. Escolha cinco a oito linhas por departamento.
  4. A matriz. Escreva como é cada nível em cada competência. É a maior parte do trabalho.
  5. Remuneração. Associe intervalos salariais às funções depois de as expectativas terem sido usadas numa ronda de conversas de carreira.

Se já tem algumas peças — uma lista de cargos aqui, uma folha de competências ali — veja o que falta com base nesta lista. A lacuna mais comum é o passo 4: há cargos e bandas salariais, mas não há expectativas.

No LadderKit, estas peças correspondem à escada de carreira de cada departamento (percursos, níveis e funções, em rascunho até a publicar) e à sua matriz de competências, que define o nível que cada função exige e serve de referência à avaliação nos check-ins.

Confusões comuns

  • Chamar referencial a uma lista de cargos. Sem expectativas por nível, as pessoas continuam sem saber o que o passo seguinte lhes pede.
  • Uma matriz sem funções. Cinquenta competências descritas para cinco níveis, mas ninguém sabe que células se aplicam ao seu trabalho.
  • Tratar escalões como níveis. Se a única diferença entre dois «níveis» é o salário, tem escalões salariais, não níveis de carreira. Não há mal nisso — basta chamar-lhes assim.
  • Um referencial para todos os departamentos. Competências partilhadas são boa ideia; expectativas partilhadas entre vendas e engenharia não são.
  • Mudar o nome das pessoas a cada revisão. Mantenha os cargos estáveis e associe-os a níveis. Altere o referencial sempre que precisar.

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Modelos

  • Apoio ao cliente

    Especialista de apoio ao cliente

    Cinco níveis, de Assistente de apoio a Responsável de apoio ao cliente, em sete competências: da resolução de tickets à gestão da área.

    • 5 níveis
    • 7 competências
  • Marketing

    Gestor de marketing

    Cinco níveis, de Técnico de marketing a VP de marketing, em seis competências: do lançamento de campanhas à responsabilidade pelo crescimento.

    • 5 níveis
    • 6 competências
  • Engenharia

    Engenheiro de software

    Cinco níveis, de júnior a Principal, em seis competências: da entrega de código ao desenvolvimento da equipa.

    • 5 níveis
    • 6 competências

No LadderKit

  • Escadas de carreira

    Um referencial por departamento: percursos, níveis e funções, preparado com os editores que escolher e publicado quando estiver pronto.

  • Matriz de competências

    Competências descritas nível a nível, o nível que cada função exige e cartões de função com intervalos salariais e PDF.

  • Check-ins

    Primeiro a autoavaliação, depois a revisão do gestor, partilhada e concluída — cada avaliação face às competências da própria função.

Guias

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Perguntas frequentes

Perguntas comuns

Níveis de função e escalões salariais são a mesma coisa?

Não exatamente. Um nível descreve o âmbito e as expectativas do trabalho; um escalão salarial é um intervalo de salários. Numa empresa pequena, os dois coincidem muitas vezes um para um, e é por isso que as palavras se confundem. Trate-os como duas decisões separadas: primeiro acorde o que cada nível espera, depois associe-lhe a remuneração.

Uma matriz de competências funciona sem uma escada de carreira?

Só em parte. Uma matriz de competências e níveis mostra às pessoas como é um bom trabalho, mas sem funções organizadas em percursos não mostra para onde alguém pode avançar, nem se existe um caminho que não passe por gerir pessoas. As duas são mais úteis em conjunto.

Onde encaixa uma família de funções ao lado de uma escada de carreira?

Uma família de funções é um grupo de funções relacionadas, como todas as funções de apoio em contacto com clientes. Numa empresa de 20 a 200 pessoas, uma família de funções corresponde normalmente a um departamento, e a escada de carreira desse departamento lista as funções da família por nível.

Os cargos têm de mudar quando se introduz um referencial de carreira?

Não. Os cargos são o que as pessoas usam no CV e no mercado; os níveis são a bitola interna da empresa. Muitas empresas mantêm os cargos existentes, associam cada um a um nível e só ajustam os que estavam claramente desalinhados, depois de as pessoas terem tido tempo para conhecer a nova estrutura.

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