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Escada de carreira dupla: percurso de especialista e percurso de gestão

Como manter um percurso de especialista ao lado de um percurso de gestão: onde os dois divergem, como alinhar os níveis e como passar de um para o outro sem perder terreno.

Escadas de carreira

Pela equipa do LadderKit

A maioria das empresas com 30 ou 40 pessoas descobre o mesmo problema da mesma maneira. Um especialista forte pergunta o que vem depois de «sénior», e a única resposta que alguém lhe sabe dar é «liderar uma equipa». Alguns seguem esse caminho, sentem falta do trabalho que faziam e saem ao fim de um ano. Outros recusam-no e saem na mesma.

Uma escada de carreira dupla resolve isto dando a cada departamento duas formas de subir: um percurso de especialista e um percurso de gestão, com níveis que significam o mesmo nos dois. Este artigo explica como montar uma numa empresa de 20 a 200 pessoas, como manter os dois percursos iguais na prática e não só no papel, e como lidar com quem passa de um para o outro.

O que é uma escada de carreira dupla

Uma escada de carreira dupla são duas escadas de carreira lado a lado num mesmo departamento:

  • O percurso de especialista destina-se a quem cresce aprofundando o seu ofício e alargando o impacto do seu trabalho: resolver problemas mais difíceis, dar direção aos outros, elevar a exigência de qualidade entre equipas. Não têm ninguém a cargo.
  • O percurso de gestão destina-se a quem cresce construindo e liderando uma equipa: contratar, orientar, definir prioridades, tratar do desempenho e fazer com que a equipa valha mais do que a soma das pessoas.

Os dois percursos partilham a mesma numeração de níveis. Um especialista de nível 4 e um gestor de nível 4 têm âmbito, influência e senioridade comparáveis — e normalmente um intervalo salarial comparável. É essa escala comum que transforma duas listas de cargos numa alternativa real.

A ideia nasceu na engenharia, com cargos como «Staff Engineer», mas funciona em qualquer departamento em que o conhecimento se acumula com o tempo.

Porque importa entre 20 e 200 pessoas

As grandes empresas precisam de um segundo percurso porque têm centenas de especialistas seniores. As pequenas e médias empresas precisam dele por outra razão: não se podem dar ao luxo de perder os poucos que têm.

Numa empresa de 60 pessoas, quem conhece o sistema de faturação de trás para a frente, ou o comercial que fecha todos os negócios com grandes clientes, é difícil de substituir. Empurrá-los para a gestão para lhes dar uma promoção tem três custos de uma só vez. Perde o seu melhor trabalho enquanto aprendem a gerir. Ganha um gestor que talvez não queira a função. E a equipa fica com um líder que preferia estar a fazer outra coisa.

Um segundo percurso também faz da gestão uma escolha e não o preço da progressão. Quando ninguém tem de gerir para crescer, quem escolhe a gestão é quem quer liderar — e costuma fazê-lo melhor.

Como alinhar os dois percursos

A parte difícil não é desenhar duas colunas; é garantir que o mesmo nível significa o mesmo nos dois percursos. Três decisões fazem a maior parte do trabalho.

Onde começa o percurso de gestão. A maioria das empresas fá-lo começar no nível de um especialista sénior sólido — o nível 3 numa escada de cinco níveis. Um gestor de primeira viagem precisa de conhecer o trabalho suficientemente bem para orientar os outros nele. Começar o percurso de gestão no nível 1 ou 2 costuma produzir líderes que aprendem as duas funções ao mesmo tempo. (Para decidir quantos níveis ter, veja quantos níveis deve ter uma escada de carreira.)

O que torna um nível igual entre percursos. Defina cada nível pelo âmbito do impacto, não pelo tipo de trabalho. Um teste prático:

NívelÂmbito do impactoEspecialista (engenharia)Gestor (engenharia)
3O trabalho de uma equipaEngenheiro séniorEngineering Manager
4Várias equipas ou uma área de produtoStaff EngineerSenior Engineering Manager
5O departamento inteiroPrincipal EngineerHead of Engineering

Um Staff Engineer cujas decisões moldam o trabalho de três equipas está no mesmo nível que um gestor que lidera essas três equipas. Se não conseguir descrever a função de especialista de um nível em termos desse âmbito, o nível provavelmente ainda não existe nesse percurso — e não há mal nisso. Muitas empresas de 50 pessoas não têm um especialista de nível 5, e não devem inventá-lo só para tornar a tabela simétrica.

Remuneração. Se os níveis são iguais, os intervalos salariais também devem ser. É tentador dar aos gestores um prémio «pela responsabilidade adicional», mas a responsabilidade adicional já está no nível. Um prémio permanente sinaliza que a gestão é o caminho mais sénior, e as pessoas vão lê-lo assim.

O que distingue os dois percursos

Os dois percursos partilham competências base, como a comunicação e o sentido de responsabilidade; divergem no sítio onde está o peso.

Área de competênciasPercurso de especialistaPercurso de gestão
OfícioCresce sempre; é a principal fonte de impactoCresce mais devagar; mantém-se sólido o suficiente para avaliar bom trabalho
Definição de rumoAtravés de decisões técnicas ou profissionaisAtravés de prioridades, objetivos e composição da equipa
Ajudar os outros a crescerMentoria, revisões, escrita de normasOrientação, feedback, conversas de carreira, recrutamento
Desempenho e pessoasNão é responsávelTotalmente responsável

Alguns exemplos fora da engenharia:

  • Vendas. O percurso de especialista vai de Account Executive a Senior e depois a Strategic ou Principal Account Executive, que fica com os negócios maiores e mais complexos e define a forma como a equipa vende a esse segmento. O percurso de gestão vai de Sales Team Lead a Head of Sales. O modelo de account executive mostra como descrever o lado do especialista.
  • Apoio ao cliente. Um especialista sénior que é dono da área de produto mais difícil, forma colegas novos e trabalha com a equipa de produto nos problemas recorrentes está no percurso de especialista. O coordenador de apoio que organiza os horários da equipa, faz as reuniões 1:1 e trata dos escalamentos está no percurso de gestão. Veja o modelo de apoio ao cliente para os níveis dos dois.

Um aviso sobre os cargos de «lead»: um «Tech Lead» coordena muitas vezes o trabalho sem gerir pessoas. Decida a que percurso pertence uma função destas e registe-o por escrito, ou torna-se um terceiro percurso não oficial.

Mudar de percurso

As pessoas vão mudar, nos dois sentidos, e a escada deve tornar isso normal.

De especialista a gestor. Trate os primeiros meses como um período experimental. Acordem um momento de revisão — três a seis meses é o habitual — em que a pessoa e o seu gestor decidem juntos se continua. Antes da mudança, confirme que a pessoa quer mesmo gerir, e não apenas ser promovida. Uma boa pergunta é: «Se isto pagasse exatamente o mesmo que ficar onde está, continuaria a querê-lo?»

De gestor de volta a especialista. Faça disto uma mudança no mesmo nível, não uma despromoção. Um gestor de nível 3 que regressa ao percurso de especialista passa a especialista de nível 3. Se voltar atrás significar descer um degrau, ninguém vai sequer experimentar a gestão, e quem experimentar e não gostar vai sair em vez de regressar.

A mudança é uma promoção? Passar para o mesmo nível do outro percurso é uma mudança lateral, não uma promoção. Passar para um nível acima no outro percurso — um especialista sénior de nível 3 que se torna gestor de nível 4 — é uma promoção e deve passar pelo mesmo processo de promoção que qualquer outra.

No LadderKit, uma escada de carreira pode ter um percurso de especialista e um percurso de gestão lado a lado no mesmo departamento, e uma promoção pode ter como destino qualquer função publicada — o nível seguinte no mesmo percurso, uma função no outro percurso ou uma mudança lateral para uma função noutro departamento.

Um exemplo prático: uma empresa de 120 pessoas

Imagine uma empresa de 120 pessoas: 45 em engenharia, 20 em vendas, 15 em apoio ao cliente e as restantes distribuídas por produto, design, marketing e operações.

A engenharia fica com a escada dupla completa: cinco níveis de especialista, de Engenheiro júnior a Principal Engineer, e um percurso de gestão que começa no nível 3 com Engineering Manager. Duas pessoas ficam no nível 4 do percurso de especialista — ambas conduziam informalmente as decisões de arquitetura. Uma delas tinha recusado, um ano antes, uma função de engineering manager e quase saiu da empresa por causa disso. Tomando como guia os modelos de engenheiro de software e de engineering manager, a primeira versão do departamento fica pronta em três semanas.

As vendas ficam com quatro níveis de especialista e dois de gestão (Sales Team Lead no nível 3, Head of Sales no nível 4). Os intervalos salariais do nível 3 são idênticos nos dois percursos.

O apoio ao cliente começa com um único percurso. O coordenador de apoio é o único gestor, e ninguém trabalha ainda com um âmbito que justifique um especialista de nível 4. O departamento acorda acrescentar o segundo percurso quando for preciso um segundo coordenador, e regista essa decisão por escrito.

Mudanças. No primeiro ano, um engenheiro sénior passa para o percurso de gestão com um período experimental de quatro meses e fica. Uma especialista de apoio experimenta coordenar o turno de fim de semana durante um trimestre e regressa ao percurso de especialista no mesmo nível, por acordo e sem qualquer alteração salarial.

Erros comuns

  • Um percurso de especialista que acaba cedo. Se o percurso de especialista termina no nível 3 e a gestão vai até ao nível 5, a mensagem é clara: a verdadeira senioridade passa por gerir. Estenda o percurso de especialista até onde a sua empresa tiver realmente âmbito para isso.
  • Iguais no papel, desiguais no salário. As pessoas comparam os intervalos salariais antes de lerem as descrições dos níveis.
  • Gestores que são também os melhores especialistas. Um gestor de nível 4 que ainda faz a maior parte do trabalho mais difícil da equipa está a fazer duas funções. Escolha um percurso para essa pessoa e arranje quem faça a outra função.
  • Passar à gestão como recompensa. Oferecer uma função de gestão como reconhecimento por um ótimo trabalho individual é o caminho para ter gestores contrariados. Reconheça um ótimo trabalho individual com uma promoção no percurso de especialista.
  • Portas só de ida. Se regressar ao percurso de especialista for tratado como uma despromoção, as pessoas deixam de experimentar a gestão.

Próximos passos

Se está a criar a escada do zero, comece por como criar uma escada de carreira: os percursos são o passo dois de sete. Se já tem uma escada com um só percurso, acrescente o segundo departamento a departamento, começando por aquele em que a pergunta «o que vem depois de sénior?» se ouve mais alto. E, quando os níveis estiverem acordados, descreva o que cada função dos dois percursos exige numa matriz de competências, para que os dois percursos sejam medidos com o mesmo cuidado com que foram desenhados.

Continue a ler

Modelos

  • Engenharia

    Engenheiro de software

    Cinco níveis, de júnior a Principal, em seis competências: da entrega de código ao desenvolvimento da equipa.

    • 5 níveis
    • 6 competências
  • Engenharia

    Engineering Manager

    Quatro níveis, de Engineering Manager a VP de engenharia, em seis competências de gestão.

    • 4 níveis
    • 6 competências
  • Vendas

    Account Executive

    Quatro níveis, de Associate a Principal AE, em seis competências: da geração de pipeline ao fecho de negócios complexos.

    • 4 níveis
    • 6 competências
  • Apoio ao cliente

    Especialista de apoio ao cliente

    Cinco níveis, de Assistente de apoio a Responsável de apoio ao cliente, em sete competências: da resolução de tickets à gestão da área.

    • 5 níveis
    • 7 competências

No LadderKit

  • Escadas de carreira

    Um referencial por departamento: percursos, níveis e funções, preparado com os editores que escolher e publicado quando estiver pronto.

  • Matriz de competências

    Competências descritas nível a nível, o nível que cada função exige e cartões de função com intervalos salariais e PDF.

  • Promoções

    Os gestores diretos põem o caso por escrito, os gestores acima deles decidem e a pessoa sobe na data de efeito.

Guias

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Perguntas frequentes

Perguntas comuns

O que é uma escada de carreira dupla?

Uma escada de carreira dupla é um referencial de carreira com dois percursos paralelos num mesmo departamento: um percurso de especialista, para quem cresce pelo conhecimento e pelo impacto, e um percurso de gestão, para quem cresce liderando uma equipa. Os níveis dos dois percursos são comparáveis, por isso nenhum dos caminhos é a «verdadeira» forma de subir.

Os gestores devem ganhar mais do que os especialistas do mesmo nível?

Não por defeito. Se o mesmo nível significa o mesmo âmbito e a mesma influência, deve ter um intervalo salarial comparável nos dois percursos. Um prémio automático para gestores diz às pessoas, de forma implícita, que a gestão é o melhor caminho — exatamente o que uma escada dupla pretende desfazer.

Alguém pode voltar da gestão para o percurso de especialista?

Sim, e deve ser uma mudança normal, não um fracasso. Acorde um período experimental para cada novo gestor, com um momento claro em que qualquer das partes pode recuar, e faça do regresso a uma função de especialista no mesmo nível o desfecho habitual.

Todos os departamentos precisam de uma escada de carreira dupla?

Não. Um departamento de cinco ou seis pessoas com um responsável funciona normalmente bem com um só percurso. Acrescente o segundo percurso quando tiver, ou previr vir a ter, alguém sénior e valioso que não quer gerir pessoas — ou quando surgir uma segunda função de gestão.

Em que nível deve começar o percurso de gestão?

Normalmente no nível de um especialista sénior sólido, que é o nível 3 numa escada de cinco níveis. Quem passa a gestor antes de dominar o próprio trabalho tem dificuldade em orientar os outros nesse trabalho.

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